Crianças, costureiras, pais, voluntários: todos se dedicam e contribuem para o sucesso da quadrilha Mirim Evolução; paixão pela dança conquistou muitos jovens que viviam nas ruas
A máquina de costura não para: o trabalho começa bem cedo e termina de madrugada na casa de dona Clerimar, uma ex-bancária que hoje trabalha como costureira. Ela transformou a sala da pequena casa num grande ateliê. Os móveis foram afastados e deram lugar a ideias que podem mudar o futuro de meninos e meninas.

"Só em estar com eles tirando eles da rua, no meio do mundo que tão fazendo por aí, que a gente vê tanta coisa no meio do mundo. E a gente procura tirar eles da rua para não acontecer o que a gente vê. De tanta maldade, de tanta ruindade no meio do mundo", conta Clerimar Souto Maior Araújo.
Ela e a filha Patrícia são voluntárias da quadrilha Mirim Evolução, que surgiu há três anos, em Santo Amaro. Mais de 80 peças - entre calças, camisas, coletes e vestidos - precisam ficar prontas nos próximos dias. As roupas vão ser um presente.
"Sinto uma emoção imensa quando eles entram no arraial. Tudo prontinho, com suas roupas bordadas, confeccionadas e feitas pela gente, com muito amor e carinho, fico muito emocionada”, diz Patrícia Catarina.
O que está pronto, não pode ser mostrado: é uma tática para evitar que todo o material seja copiado e vire uma frustração para todo mundo. Os ensaios podem ser vistos e acontecem na quadra do Centro da Juventude, que fica na comunidade. O elenco dedica meia hora para acertar os detalhes.
As crianças e adolescentes são da comunidade e também vieram convidados de Casa Amarela, Camaragibe e Maranguape, em Paulista. A diretoria é um grupo cultural formado por artistas e um professor de dança. "Eles têm que tirar notas boas para poder continuar. Se não continuar, ele sai e dá a vaga para outras pessoas”, explica o presidente da quadrilha junina Evolução, Werisson Fidelix Alves da Silva. “É um sonho em conjunto. Como é difícil sonhar, a gente trabalha muito”.
São 76 pessoas que sonham juntas e ainda existe uma lista de espera. Pelo menos 20 dançarinos esperam uma oportunidade. Sabrina Feliciano Bernardes, de 11 anos, é uma das mais dedicadas. Já foi a fofoqueira, o destaque da quadrilha, e agora será a noiva. "O cargo é para mim, que eu sou a noiva. Vem tudo para cima de mim. Tem que ter responsabilidade na hora fazer”, diz.
Por enquanto, os componentes se preparam para 12 apresentações até o São João. Concursos que podem ser a garantia de reconhecimento. "Você compete e pode trazer o título para sua quadrilha. Para um título que é justamente o que a gente quer trazer para Santo Amaro”, diz o rei da quadrilha, Giovane Alves Pessoa, de 14 anos.
Os pais comemoram as mudanças no comportamento dos filhos desde que chegaram no projeto. "Muitos aqui são vizinhos, que eu conheço, que são da minha comunidade. E, é um projeto muito bom que tira as crianças da rua. Não está fazendo nada, vem para a quadrilha. Eu gosto muito desse projeto. Faz dois anos já que meu filho dança e ele diz que se pudesse dançava para o resto da vida dele. E a minha sobrinha é o primeiro ano dela e ela está amando”, diz a dona de casa Avaneide Maria de Lima.
A sobrinha da Avaneide é Marcyelle Taynanda, de 8 anos, que sonha ser uma bailarina. "Eu estou aprendendo um passo novo, estou aprendendo a girar, que eu não sabia... Eu girava e ficava tonta”, conta a menina, aos risos. “Vim porque é muito legal e também eu quero aprender e dançar".
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